TECNOLOGIA EM SALA DE AULA: ALIADA OU INIMIGA? -




Escolas públicas e privadas ainda “engatinham” no uso de tecnologia como ferramenta do ensino
Rogério Wagner Mendes - Repórter - 29/04/2011 - 13:55
Wesley Rodrigues
No Colégio Marista Dom Silvério, uma lousa digital é usada na alfabetização de crianças

As escolas privadas e públicas ainda não sabem como fazer uso pedagógico das novas tecnologias, como notebook, netbook, smartphone e ipad. Enquanto algumas se limitam a proibir a entrada dos equipamentos, outras estão em processo de regulamentação. Mas em todas é unanimidade que as novas tecnologias precisam ser incorporadas ao cotidiano escolar e que esse processo precisa avançar.

No Colégio Batista, da rede particular de ensino, foi criado um Comitê de Tecnologia que irá definir sobre a utilização ou não de equipamentos em sala de aula. Um grupo de seis alunos já utilizam ipads, todos dos próprios estudantes, em um processo definido pelo professor Levi Madureira, coordenador do Comitê, como experimental. “Como as editoras ainda não disponibilizam a versão on line dos livros, o uso é como um computador”, explica.

A maior preocupação do Comitê de Tecnologia é que o uso de equipamentos em sala de aula, ao contrário de contribuir no aprendizado, se transforme em objeto de desvio da atenção. O comitê, com base na experiência dos alunos que utilizam ipads, irá regulamentar como será o uso por todos os alunos da instituição. Hoje, durante a aula, os estudantes também não podem acessar a internet e redes sociais, por exemplo.

No Colégio Marista Dom Silvério, a regulamentação dos equipamentos eletrônicos em sala também está em processo de discussão. De acordo com a pedagoga e mestre em Educação Jaqueline Ramalho, o primeiro passo tem sido a qualificação profissional dos professores, para a definição do que poderá ou não ser incorporado ao processo pedagógico.

“Enfrentamos um tempo novo, que exige cuidados. Incentivamos os recursos midiáticos desde a alfabetização. Mas ainda é preciso definir como incorporar os equipamentos ao processo de aprendizado. Entre os estudantes mais novos, por exemplo, temos o dia do brinquedo. Hoje, os que entram na escola são muito diferentes dos de anos atrás. Muitos alunos levam para a escola mini-DVDs para assistir filmes”, diz.

Tanto no Batista quanto no Marista, os alunos têm acesso a recursos de informática, como salas com lousas eletrônicas e laboratórios de informática. Mas a utilização de notebooks e netbooks, por exemplo, ainda não está autorizada.

Além da falta de preparação dos professores, as escolas ainda enfrentam a falta de planejamento pedagógico para trabalhar com as novas tecnologias. Assim, muitas vezes, a utilização fica aquém do que o estudante tem acesso em casa.

“Hoje, só pode entrar em sala de aula o equipamento que o professor domina. É um controle para evitar o uso inadequado dentro do ambiente escolar”, afirma a pedagoga do Dom Silvério.

Projetos em escolas públicas ainda são embrionários

Na rede pública de ensino, as escolas municipais estão na frente no quesito utilização da tecnologia e da internet em sala de aula. Em duas unidades, a Padre Guilherme Peters, no Bairro São Lucas, Região Centro-Sul, e a Levindo Lopes, no Alto Paraíso, Região Leste, os alunos integram o programa “Um Computador por Aluno”, do Governo federal, e possuem netbooks.

Outras três unidades utilizam laboratórios móveis de informática, onde os alunos recebem aula fora de sala, por meio de redes abertas (wireless). Entre as escolas da rede estadual de ensino, o acesso às novas tecnologias está restrito aos laboratórios de informática. Só que um convênio assinado com a Google cria a possibilidade de expansão para notebooks e netbooks. “Ainda precisamos desenvolver um plano de aula para os recursos móveis”, explica Hudson de Oliveira, superintendente de Tecnologias Educacionais da Secretaria de Estado da Educação.

O primeiro passo na rede pública estadual será a qualificação dos professores, onde já são enfrentadas algumas dificuldades. “Há profissionais resistentes à utilização de equipamentos eletrônicos em sala de aula, mas isso já está em escala muito menor do que no passado”, afirma Oliveira.

A rede pública estadual conta com 47 Núcleos Regionais de Tecnologia para discutir e regulamentar a utilização dos recursos eletrônicos. “Sabemos que precisamos avançar. O aluno cresce em meio a um mundo de tecnologia fora da escola e precisamos integrar isso ao processo pedagógico de forma que exista contribuição para o aprendizado”, diz o superintendente.

A gerente de Planejamento e Informação da Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte, Corina Giovanini, também reconhece a necessidade de avanços. Das 188 unidades, fora as duas que integram o programa “Um Computador por Aluno” e as três com laboratórios móveis de informática, outras 26 contam com dois laboratórios fixos. As 157 escolas restantes possuem apenas um laboratório, que é dividido por todos os estudantes.

“Na rede pública municipal a discussão sobre a utilização de smartphones ou de ipads ainda é embrionária, porque não existe uma demanda por parte dos alunos. Mas, com certeza, é uma questão que precisará ser regulamentada”, afirma Corina.

A orientação para a rede municipal é não vetar a entrada os equipamentos eletrônicos, mas a utilização ou não destes tem que ser definida pelos professores. “É um risco grande deixar que o acesso à internet, por exemplo, acabe por prejudicar o estudante. Como ainda não existe uma regulamentação clara, quem define é o professor”, diz.





.

Comentários