HOJE EM DIA, SERIA SURPRESA SE AS RESPOSTAS FICASSEM SIGILOSAS

Hoje em dia, seria surpresa se as respostas ficassem sigilosas

HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA

Em tempos de WikiLeaks, nos quais até segredos de Estado podem ser consultados na internet, seria uma surpresa se editores de livros didáticos conseguissem manter sob sigilo as respostas aos exercícios propostos.
Antes de invectivar contra a rede de computadores ou soltar a polícia sobre os vazadores -é duvidoso até que haja crime aqui-, convém analisar os pressupostos e os objetivos do governo paulista ao apostar em apostilas únicas para toda a rede.
A padronização do material didático (e o consequente engessamento do ensino) se justifica em ditaduras ou quando se tem o diagnóstico de que os professores da rede não estão sendo capazes de se organizar adequadamente para transmitir aos alunos os conteúdos mínimos. Descartada a primeira possibilidade, ficamos com a segunda.
De fato, a opção da Secretaria da Educação é corroborada por estudos que mostraram que cidades que adotaram sistemas de ensino conseguiram melhorar seu desempenho nas avaliações.
O problema é que os bônus não vêm sem ônus. Confeccionar material didático na escala dos 3 milhões de alunos é sempre complicado.
Para começar, eventuais erros ganham ampla visibilidade, como o atesta o caso do mapa com dois Paraguais publicado num dos livros distribuídos em 2009.
De modo análogo, vazamentos de respostas, que passariam despercebidos num regime em que cada professor adota um livro diferente, tornam-se um constrangimento público.
Apesar desses tropeços, faz sentido seguir apostando em sistemas estruturados. É preciso, evidentemente, tomar alguns cuidados, como evitar dar notas só com base na resolução dos exercícios

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