13/08/2009
EDUCAR – Suas dificuldades.
Dr. Jajáh*
Meus amigos, no processo de educar um filho – interferir na direção de sua caminhada – surgem algumas dificuldades comuns para todos, mais acentuadas para uns e menos para outros. Hoje vamos tratar de duas dessas dificuldades: O ciúme e as dificuldades no estudo.
1 – O que é o ciúme? Quais as suas causas, como identificá-lo, quais as conseqüências e o que fazer?
O ciúme, meu amigo, é a manifestação da insegurança. SEMPRE. Em qualquer fase da vida. No caso do nosso filho é devido a uma sensação de instabilidade e de receio; o ciúme é um conjunto de emoções, que se traduzem em atitudes tais como inveja, mau humor, irritação, maledicências, acusações e perseguições injustificadas, censuras e queixas contra os pais e irmãos; insatisfação permanente, agressividade, raiva ou amor excessivo; processos de regressão ou infantilidade (voltam a molhar a cama, a querer que dêem comida na boca, manifestar medo de ficar sozinha, etc.). O objetivo é reconquistar algo que sente ter perdido.
O ciúme pode se manifestar no ser humano em qualquer idade, desde na criança de poucos meses até no adulto.
Algumas situações são mais provocantes do ciúme: o filho único, o filho que ganha um irmãozinho. Estes, acostumados ser motivo único, ou principal, das atenções dos pais, avós, tios, empregados, quando percebem que outro chama mais as atenções, passam a sofrer da “síndrome do abandono” ou do “trono perdido”. Perderam o trono. Reagem com diferentes tipos de ações: hostilidade, não quer que a mãe beije o seu pai e vice-versa, empurra o irmãozinho, belisca-o.
Quando sente que os pais chamam a sua atenção, censurando-o, castigando-o, atitudes inéditas até então, reagem das mais diferentes maneiras: desde crises de bronquites, febre, vômito, diarréia, etc. Isso, meu amigo, é ciúme. Medo de perder algo valioso. Medo de perder o bem amado.
Mas o que fazer? Vão aqui algumas sugestões:
– preparar muito bem a si, aos familiares e a criança para o nascimento do irmão;
– saber que são normais as reações de hostilidade, antagonismo, raiva à criança que roubou a atenção dos pais;
– aceitar a rivalidade que há entre irmãos, evitando tomar partido nas brigas infantis;
– dividir a atenção e seu afeto para todos os filhos, a fim de que se sintam atendidos e amados;
– evitar favoritismos, injustiças, comparações e preferências;
– não proteger o mais “fraquinho”. Isto é ruim para os dois;
– saber que as crises de ciúmes existem e aguardar com paciência que passem, sem irritação e sem exigências forçadas
A melhor maneira dos pais tratarem das inseguranças dos filhos é manifestando a sua segurança.
2 – As dificuldades nos estudos, como se manifestam, quais as conseqüências e o que fazer?
As mudanças que o mundo atual imprimiu na vida das pessoas e, principalmente das famílias, fazem com que as crianças sejam levadas cada vez mais precocemente para a escola. A quantidade de crianças que são levadas para as “escolinhas” antes de completarem o segundo aniversário é cada vez maior. Os pais se sentem mais seguros com os seus filhos cuidados por profissionais especialmente treinados e contratados para a arte de cuidar de uma criança do que por “babás” contratadas sem a devida familiaridade e conhecimento.
A massificação do ensino – ensinar a mesma coisa e do mesmo jeito para todos – tem sido identificado como o principal elemento gerador de ojeriza da criança pela escola. Para a escola o que interessa é transmitir o conhecimento do professor, independendo da necessidade e da preferência do aluno. O programa foi cumprido! Isso faz parte da grade curricular!
Este oferecer o que o outro não quer e de forma que o outro não prefere, gera comportamentos de repulsa e de aversão à escola. Manifesta-se com fugas ativas – faltar aulas, brincadeiras durante a aula, desatenção ao que se está ensinando, brigas, descuidos na realização de tarefas. Outros reagem com fugas passivas: tristeza, silêncio, ficam arredios ao processo, chegam, em alguns casos, a adoecerem para não irem às aulas. Tudo isso não passa de manifestações de descontentamento com o método e, no final, com a instituição de ensino.
A escola como se organiza, não raramente, não estimula a solidariedade, a ajuda mútua entre alunos. O aluno não tem direito de escolher. Tem que engolir. Sua regra é o “salve-se quem puder” e neste lema poucos sobrevivem.
Os pais devem interferir na estrutura e no funcionamento da escola. Ora, a escola se insere na sociedade, e, portanto, deve fazer parte de sua dinâmica. O que assistimos são pais omissos permitindo que seus filhos sejam vítimas de métodos de ensino frios e inadequados. Neste mesmo enfoque, deve-se estar atento ao relacionamento professor-aluno. Estar atento para poder interferir, esta é a regra de ouro.
Último conselho: Nunca – JAMAIS – chame o seu filho de burro, de desordeiro, de desatento, de porco, de ciumento, de vagabundo. Ele pode acreditar em você!
*Referência: Educar, um desafio. Escola de Pais do Brasil.
**O autor é médico na cidade de Dourados – Mato Grosso do Sul – O Estado do Pantanal – PN.
Www.jajah.med.br / jajah@jajah.med.br
EDUCAR – Suas dificuldades.
Dr. Jajáh*
Meus amigos, no processo de educar um filho – interferir na direção de sua caminhada – surgem algumas dificuldades comuns para todos, mais acentuadas para uns e menos para outros. Hoje vamos tratar de duas dessas dificuldades: O ciúme e as dificuldades no estudo.
1 – O que é o ciúme? Quais as suas causas, como identificá-lo, quais as conseqüências e o que fazer?
O ciúme, meu amigo, é a manifestação da insegurança. SEMPRE. Em qualquer fase da vida. No caso do nosso filho é devido a uma sensação de instabilidade e de receio; o ciúme é um conjunto de emoções, que se traduzem em atitudes tais como inveja, mau humor, irritação, maledicências, acusações e perseguições injustificadas, censuras e queixas contra os pais e irmãos; insatisfação permanente, agressividade, raiva ou amor excessivo; processos de regressão ou infantilidade (voltam a molhar a cama, a querer que dêem comida na boca, manifestar medo de ficar sozinha, etc.). O objetivo é reconquistar algo que sente ter perdido.
O ciúme pode se manifestar no ser humano em qualquer idade, desde na criança de poucos meses até no adulto.
Algumas situações são mais provocantes do ciúme: o filho único, o filho que ganha um irmãozinho. Estes, acostumados ser motivo único, ou principal, das atenções dos pais, avós, tios, empregados, quando percebem que outro chama mais as atenções, passam a sofrer da “síndrome do abandono” ou do “trono perdido”. Perderam o trono. Reagem com diferentes tipos de ações: hostilidade, não quer que a mãe beije o seu pai e vice-versa, empurra o irmãozinho, belisca-o.
Quando sente que os pais chamam a sua atenção, censurando-o, castigando-o, atitudes inéditas até então, reagem das mais diferentes maneiras: desde crises de bronquites, febre, vômito, diarréia, etc. Isso, meu amigo, é ciúme. Medo de perder algo valioso. Medo de perder o bem amado.
Mas o que fazer? Vão aqui algumas sugestões:
– preparar muito bem a si, aos familiares e a criança para o nascimento do irmão;
– saber que são normais as reações de hostilidade, antagonismo, raiva à criança que roubou a atenção dos pais;
– aceitar a rivalidade que há entre irmãos, evitando tomar partido nas brigas infantis;
– dividir a atenção e seu afeto para todos os filhos, a fim de que se sintam atendidos e amados;
– evitar favoritismos, injustiças, comparações e preferências;
– não proteger o mais “fraquinho”. Isto é ruim para os dois;
– saber que as crises de ciúmes existem e aguardar com paciência que passem, sem irritação e sem exigências forçadas
A melhor maneira dos pais tratarem das inseguranças dos filhos é manifestando a sua segurança.
2 – As dificuldades nos estudos, como se manifestam, quais as conseqüências e o que fazer?
As mudanças que o mundo atual imprimiu na vida das pessoas e, principalmente das famílias, fazem com que as crianças sejam levadas cada vez mais precocemente para a escola. A quantidade de crianças que são levadas para as “escolinhas” antes de completarem o segundo aniversário é cada vez maior. Os pais se sentem mais seguros com os seus filhos cuidados por profissionais especialmente treinados e contratados para a arte de cuidar de uma criança do que por “babás” contratadas sem a devida familiaridade e conhecimento.
A massificação do ensino – ensinar a mesma coisa e do mesmo jeito para todos – tem sido identificado como o principal elemento gerador de ojeriza da criança pela escola. Para a escola o que interessa é transmitir o conhecimento do professor, independendo da necessidade e da preferência do aluno. O programa foi cumprido! Isso faz parte da grade curricular!
Este oferecer o que o outro não quer e de forma que o outro não prefere, gera comportamentos de repulsa e de aversão à escola. Manifesta-se com fugas ativas – faltar aulas, brincadeiras durante a aula, desatenção ao que se está ensinando, brigas, descuidos na realização de tarefas. Outros reagem com fugas passivas: tristeza, silêncio, ficam arredios ao processo, chegam, em alguns casos, a adoecerem para não irem às aulas. Tudo isso não passa de manifestações de descontentamento com o método e, no final, com a instituição de ensino.
A escola como se organiza, não raramente, não estimula a solidariedade, a ajuda mútua entre alunos. O aluno não tem direito de escolher. Tem que engolir. Sua regra é o “salve-se quem puder” e neste lema poucos sobrevivem.
Os pais devem interferir na estrutura e no funcionamento da escola. Ora, a escola se insere na sociedade, e, portanto, deve fazer parte de sua dinâmica. O que assistimos são pais omissos permitindo que seus filhos sejam vítimas de métodos de ensino frios e inadequados. Neste mesmo enfoque, deve-se estar atento ao relacionamento professor-aluno. Estar atento para poder interferir, esta é a regra de ouro.
Último conselho: Nunca – JAMAIS – chame o seu filho de burro, de desordeiro, de desatento, de porco, de ciumento, de vagabundo. Ele pode acreditar em você!
*Referência: Educar, um desafio. Escola de Pais do Brasil.
**O autor é médico na cidade de Dourados – Mato Grosso do Sul – O Estado do Pantanal – PN.
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